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A caixa que abriu portas para a literatura

18 de set.
3 min de leitura

Atualizado: 24 de set.

Em Joaquim Nabuco, a Caixa de Histórias ganha força em uma escola particular e revela a importância de criar pontos de acesso ao livro em cidades pequenas




Há cidades onde o acesso ao livro depende de poucos espaços. Às vezes, de uma biblioteca escolar. Às vezes, de uma professora que insiste. Às vezes, de uma ação cultural que chega e deixa uma pequena estrutura capaz de permanecer depois que o projeto vai embora.

Em Joaquim Nabuco, a Caixa de Histórias aparece justamente com esse sentido: uma porta de entrada. A pesquisa realizada pelo Ler pra Ser registra que o acervo está vinculado ao Colégio Maria Hilda Marques, uma escola particular localizada no Centro do município. Ali, a Caixa foi associada à Semana Literária da instituição e à possibilidade de garantir contato com livros em um contexto onde o acesso público à literatura ainda parece limitado.

O município de Joaquim Nabuco, na Mata Sul de Pernambuco, tinha 13.269 habitantes no Censo 2022, população estimada em 13.416 pessoas em 2025 e taxa de escolarização de 99,8% entre crianças e adolescentes de 6 a 14 anos, segundo o IBGE. É uma cidade pequena em escala populacional, marcada por uma formação histórica relacionada aos engenhos e à economia canavieira da região. A Fundação Joaquim Nabuco registra a Usina Pumaty, situada em área associada a Palmares e Joaquim Nabuco, como uma unidade fundada entre 1888 e 1889, ainda com a denominação de Usina Central Bom Gosto.

Esse pano de fundo importa porque a leitura também se relaciona com território. Em cidades atravessadas por histórias rurais, ciclos econômicos e desigualdades estruturais, criar pontos de acesso ao livro é uma forma de ampliar repertórios e abrir outras possibilidades de imaginação.

Equipe do Ler pra Ser no Colégio Maria Hilda Marques, em Joaquim Nabuco.
Equipe do Ler pra Ser no Colégio Maria Hilda Marques, em Joaquim Nabuco.

Equipe do Ler pra Ser no Colégio Maria Hilda Marques, em Joaquim Nabuco.
Equipe do Ler pra Ser no Colégio Maria Hilda Marques, em Joaquim Nabuco.

Cantinho do Saber e a Caixa de Histórias do projeto Ler pra Ser.
Cantinho do Saber e a Caixa de Histórias do projeto Ler pra Ser.

Na tabulação do Ler pra Ser, a Caixa de Histórias em Joaquim Nabuco aparece em excelente estado de conservação e muito organizada. O acervo identificado reúne aproximadamente 50 livros, com consulta local, mas sem registro de empréstimos mensais. As atividades de mediação de leitura e contação de histórias são frequentes, e a Caixa já circulou também no Cantinho do Saber, em uma escola particular no município de Cortês.

Um dado chama atenção: na justificativa sobre a importância da Caixa, o território afirma que, como não há biblioteca municipal, a Caixa garante esse acesso ao livro e funciona como porta de entrada para a literatura e a leitura. Esse ponto precisa ser tratado com cuidado na publicação: eu manteria a frase como percepção registrada na pesquisa, sem afirmar como dado absoluto sem uma checagem final junto à Prefeitura ou ao Sistema Estadual de Bibliotecas.

Caixa de Histórias do projeto Ler pra Ser em Palmares.
Caixa de Histórias do projeto Ler pra Ser em Palmares.

Atividade de leitura na primeira visita do projeto Ler pra Ser.
Atividade de leitura na primeira visita do projeto Ler pra Ser.

Mesmo assim, a percepção é relevante. Ela mostra como a presença de uma pequena biblioteca móvel pode ter peso maior em territórios onde os equipamentos públicos de leitura não são tão visíveis ou acessíveis para a população. Em Joaquim Nabuco, a Caixa não é apenas um complemento. Para parte do público atendido, ela pode ser o primeiro contato organizado, convidativo e afetivo com um acervo literário.

A avaliação do impacto aponta aumento significativo do interesse pela leitura, sobretudo entre crianças. As preferências registradas passam pela escuta: ouvir histórias, participar de eventos, reconhecer a literatura como uma experiência viva.

Também aparece como possibilidade de sustentabilidade a participação em eventos da cidade, como Feira do Empreendedorismo e desfile de 7 de Setembro, indicando que a Caixa pode ganhar presença pública em momentos de mobilização comunitária.


“Em Joaquim Nabuco, a Caixa de Histórias mostra como uma ação aparentemente simples pode ocupar um lugar enorme. Quando o livro não está disponível de forma cotidiana, cada acervo importa. Cada leitura aberta pode ser o começo de uma relação nova com a literatura”, avalia Eliz.


A necessidade apontada pelo território é objetiva: formação sobre práticas literárias para otimizar o uso da Caixa de Histórias, além de materiais e novos livros. Ou seja, o acervo existe, está cuidado, mas precisa ser ativado com mais regularidade e intencionalidade.

Em Joaquim Nabuco, o Ler pra Ser revela uma dimensão essencial do projeto: democratizar a leitura não é apenas distribuir livros. É criar condições para que eles sejam vistos, desejados, manuseados, lidos, escutados e incorporados ao cotidiano. É fazer com que uma caixa, em uma escola, possa ser reconhecida como começo de caminho.

Às vezes, uma biblioteca nasce grande. Outras vezes, nasce pequena, com 50 livros, uma professora, uma sala e algumas crianças em volta. Mas, se ela consegue fazer alguém atravessar a primeira página, já começou a cumprir seu papel.

Primeira visita do projeto Ler pra Ser.
Primeira visita do projeto Ler pra Ser.

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