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Uma caixa de histórias que caminha com a força da cultura popular

há 7 dias
3 min de leitura

Em Nazaré da Mata, a Caixa de Histórias encontrou na Associação das Mulheres de Nazaré da Mata um território fértil para circular, emprestar livros e formar leitores.




Em Nazaré da Mata, a cultura costuma anunciar sua presença antes mesmo de ser explicada.

Ela aparece no som dos maracatus, nas golas coloridas, nos caboclos de lança, nas ruas que guardam uma das expressões mais fortes da Zona da Mata Norte. A cidade é referência para o maracatu rural e para o baque solto, manifestação ligada à história, à ancestralidade e ao ciclo cultural da região. Em 2025, a Secretaria de Cultura de Pernambuco destacou Nazaré da Mata como epicentro da cultura raiz pernambucana durante o Encontro dos Maracatus Rurais.

É nesse território de oralidade, festa e memória que a Caixa de Histórias do Ler pra Ser segue em funcionamento junto à Associação das Mulheres de Nazaré da Mata. O encontro entre livro, mulheres, juventude e cultura popular dá à experiência uma camada muito própria: a leitura aparece como prática comunitária, mas também como continuidade de uma cidade que já sabe contar histórias de muitas maneiras.

Segundo o IBGE, Nazaré da Mata tinha 30.648 habitantes no Censo 2022, população estimada em 32.187 pessoas em 2025 e taxa de escolarização de 99,46% entre crianças e adolescentes de 6 a 14 anos. Na relação do Ministério da Cultura para o PNLD em Pernambuco, o município aparece com três equipamentos relacionados à leitura: Casa do Poeta França, Biblioteca Municipal Cel. Victor Vieira de Melo e Biblioteca-Ponto de Leitura, esta última localizada na Rua Coronel Manoel Inácio.

Equipe Ler pra Ser e Associação das Mulheres de Nazaré da Mata.
Equipe Ler pra Ser e Associação das Mulheres de Nazaré da Mata.
Caixa de Histórias do projeto em Nazaré da Mata.
Caixa de Histórias do projeto em Nazaré da Mata.

O relatório de revisita do Ler pra Ser registra que a Caixa de Histórias em Nazaré da Mata está organizada, em boas condições de conservação e acompanhada por práticas frequentes de higienização e manutenção. O levantamento identificou aproximadamente 40 livros e uma média mensal de 50 empréstimos, o maior número registrado entre os territórios visitados.

Esse dado é precioso. Ele mostra que, em Nazaré da Mata, a Caixa não apenas permaneceu: ela circula. Os livros saem, voltam, encontram leitores, passam de mão em mão. A leitura não está apenas disponível. Ela está em movimento. As ações desenvolvidas no território incluem mediação

leitura e contação de histórias de forma frequente, além de projetos como Leitura na Praça, Leia e Repasse e Leitor do Mês. São iniciativas simples e fortes, que transformam o livro em acontecimento cotidiano e aproximam a comunidade do acervo.

O formato da Caixa também foi destacado pela sua mobilidade e itinerância. Em Nazaré, essa característica parece ter encontrado uso concreto. A Caixa pode ir à praça, pode circular, pode acompanhar ações e alcançar públicos diferentes. Em uma cidade marcada por manifestações populares que ocupam a rua, faz sentido que a leitura também deseje sair do lugar fixo.


Caixa de Histórias do projeto Ler pra Ser em Nazaré da Mata.
Caixa de Histórias do projeto Ler pra Ser em Nazaré da Mata.
Caixa de Histórias do projeto em Nazaré da Mata.
Caixa de Histórias do projeto em Nazaré da Mata.

A tabulação aponta crianças e jovens como públicos principais. Também registra parcerias com bibliotecas públicas e escolas públicas e privadas, além de divulgação presencial, nas redes sociais, rádio e TV.

Entre as necessidades indicadas estão formação de contadoras de histórias, mediação de leitura, oficina de Abayomi, doação de livros, contratação de pessoa especializada e ampliação do acervo com livros para infância, cordel e livros de imagem.

Há uma coerência muito bonita nessas demandas. Nazaré da Mata não pede apenas continuidade da leitura em sentido genérico. Pede formação de mulheres contadoras, práticas de mediação, bonecas Abayomi, cordel, infância, imagem. Pede uma literatura que dialogue com corpo, memória, cultura popular e identidade.

No percurso do Ler pra Ser, Nazaré da Mata aparece como exemplo de apropriação comunitária. A Caixa está viva porque foi incorporada a uma rotina de ações. Porque encontrou pessoas que a fazem circular. Porque a leitura ali não ficou esperando um leitor ideal: foi até ele.

Em Nazaré, a Caixa de Histórias caminha. E, quando caminha, faz o livro encontrar a rua, a praça, a escola, a juventude e as mulheres que seguem sustentando a cultura como prática de futuro.

Em Nazaré da Mata, a gente vê a Caixa de Histórias funcionando com uma vitalidade muito bonita. Ela circula, empresta, vai para a praça, cria campanhas, aproxima crianças e jovens. É um território que mostra, na prática, como a leitura ganha força quando vira ação comunitária", disse Eliz.



Contação de histórias com o arte-educador Guga Bezerra.
Contação de histórias com o arte-educador Guga Bezerra.


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