Uma biblioteca em movimento na Mata Sul
Em Palmares, a Caixa de Histórias se mantém vinculada à Biblioteca Pública Municipal Prof. Fenelon Barreto e aponta para o desejo de levar livros a outros espaços da cidade
Em Palmares, a imagem que ficou da Caixa de Histórias é simples e poderosa: uma biblioteca em movimento.
A expressão apareceu nas respostas do levantamento realizado durante o retorno do Ler pra Ser ao município e resume bem o que o projeto pode representar quando encontra uma biblioteca pública disposta a sair de si. Em vez de esperar que todos cheguem até o acervo, a Caixa de Histórias abre a possibilidade de deslocar o livro, aproximar leitores e transformar outros lugares em espaços de leitura.
Palmares, na Mata Sul de Pernambuco, tinha 54.584 habitantes no Censo 2022, população estimada em 56.475 pessoas em 2025 e taxa de escolarização de 98,78% entre crianças e adolescentes de 6 a 14 anos, segundo o IBGE. Na relação do Ministério da Cultura para o PNLD em Pernambuco, aparece a Biblioteca Pública Municipal Professor Fenelon Barreto, situada no Centro de Palmares, o mesmo equipamento ao qual a Caixa de Histórias está vinculada no levantamento do Ler pra Ser.



A presença da Caixa na Biblioteca Pública Municipal Prof. Fenelon Barreto indica uma relação importante entre o projeto e a política pública local de leitura. O relatório de revisita aponta que o espaço apresenta boas condições de conservação e organização, com o acervo mantido em funcionamento e integrado às ações desenvolvidas pela biblioteca. Também foram identificadas práticas voltadas à divulgação da leitura, circulação do acervo e fortalecimento do acesso comunitário aos livros.
A tabulação registra aproximadamente 47 livros no acervo de Palmares, com consulta local e média de 2 empréstimos mensais. A circulação ainda é pequena, mas o potencial é grande. O próprio território reconhece que a Caixa pode “ir além”, chegar a outros lugares e fazer com que outros lugares também se tornem bibliotecas.
Essa ideia é especialmente bonita porque desloca a biblioteca do imaginário fixo do prédio. A biblioteca passa a ser também gesto, deslocamento, presença. Pode acontecer numa praça, numa escola, numa ação cultural, numa roda, numa atividade comunitária. Quando a Caixa sai, a leitura vai junto. E quando a leitura vai junto, o território também se reorganiza ao redor dela.
As respostas qualitativas registradas no relatório destacam ainda a importância da literatura afro-indígena e o potencial da Caixa para aproximar a comunidade das ações culturais e literárias desenvolvidas em Palmares. A cidade conta com articulações junto a escolas públicas, grupos culturais e agentes locais, reforçando uma rede de incentivo à leitura que pode ser ampliada.

Na pesquisa, aparecem como parceiros ou possibilidades de articulação as escolas públicas, o grupo cultural Grucalp, professores e escritores locais. Também surgem demandas por formação em elaboração de projetos, práticas literárias e contação de histórias, além de recursos humanos e materiais.
O ponto sensível de Palmares está justamente nessa passagem entre potência e estrutura. A Caixa é reconhecida como importante, mas precisa de mais apoio para circular. Há necessidade de reparo, logística de transporte, divulgação das atividades nas redes sociais e oficinas que fortaleçam o uso do acervo. O projeto segue presente, mas pede continuidade para alcançar aquilo que o próprio território enxerga como possibilidade.
“Quando Palmares chama a Caixa de ‘biblioteca em movimento’, ela traduz uma das imagens mais bonitas do Ler pra Ser. A gente acredita nisso: no livro que sai do lugar fixo, encontra pessoas e transforma qualquer espaço em possibilidade de leitura”, comentou Eliz.
No conjunto da série, Palmares é a cidade que nos lembra que uma biblioteca não precisa ser apenas endereço. Ela também pode ser percurso. Pode ser uma caixa que se abre em uma rua, uma escola, uma praça, uma atividade. Pode ser uma forma de dizer que o livro não pertence apenas a quem já sabe chegar até ele.
Em Palmares, a Caixa de Histórias guarda livros, mas também guarda uma direção: sair, circular, alcançar. Fazer do território uma extensão da biblioteca. E fazer da biblioteca um movimento contínuo de aproximação.
“Quando Palmares chama a Caixa de ‘biblioteca em movimento’, ela traduz uma das imagens mais bonitas do Ler pra Ser. A gente acredita nisso: no livro que sai do lugar fixo, encontra pessoas e transforma qualquer espaço em possibilidade de leitura”, comentou Eliz Galvão.




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