Em Vicência, uma caixa cria raízes e pede estrada
Em Vicência, a Caixa de Histórias permanece na Biblioteca Pública Municipal Estefânia Carneiro da Cunha e aponta para o desejo de ampliar a leitura de forma itinerante
Vicência é uma cidade que guarda marcas da cultura do açúcar, dos engenhos e de experiências comunitárias ligadas à preservação da memória local. O Engenho Poço Comprido, por exemplo, é apresentado pela Prefeitura de Vicência como um espaço onde visitantes têm contato com informações sobre a cultura do açúcar, sua história e edificações oitocentistas. Esse ambiente de memória ajuda a situar a presença da Caixa de Histórias em uma cidade onde patrimônio, oralidade e leitura podem dialogar de forma muito potente.
Segundo o IBGE, Vicência tinha 26.359 habitantes no Censo 2022, população estimada em 27.151 pessoas em 2025 e taxa de escolarização de 99,84% entre crianças e adolescentes de 6 a 14 anos. Na relação do Ministério da Cultura para o PNLD em Pernambuco, aparece a Biblioteca Pública Municipal Estefânia Carneiro da Cunha, situada no Centro de Vicência, mesmo espaço que recebeu a pesquisa de retorno do Ler pra Ser.
A Caixa de Histórias permanece integrada à biblioteca municipal, com acervo acessível à comunidade e atuação vinculada a práticas de mediação de leitura e circulação literária. O relatório de revisita aponta que o projeto exerce papel significativo na promoção do acesso à leitura, especialmente por meio das atividades desenvolvidas junto à comunidade local.


A tabulação registra aproximadamente 40 livros, consulta local, excelente estado de conservação e organização adequada. Não há registro de empréstimos mensais, mas há mediação de leitura e contação de histórias de forma ocasional. A Caixa já circulou por espaços como a Fundação Bem Estar e o auditório da Associação Vicência Prev, o que sugere uma vocação itinerante que o próprio território deseja fortalecer.
Em Vicência, a importância da Caixa foi associada justamente à mobilidade: a possibilidade de levar os livros para outras localidades. O livro destacado pela memória afetiva foi A História do Baobá, escolha que abre uma imagem bonita para pensar a experiência. O baobá, árvore ligada à ancestralidade, à memória e à permanência, parece dialogar com aquilo que o projeto tenta construir: raízes de leitura em lugares onde o acesso ao livro precisa ser continuamente cuidado.
“Vicência traz uma imagem muito bonita para o Ler pra Ser, que é a da Caixa como algo que pode circular. A biblioteca é um ponto de partida, mas o desejo do território é fazer os livros chegarem a outras localidades, a outras crianças, a outras histórias.” diz Eliz Galvão.

As respostas qualitativas destacam a relevância das ações de mediação de leitura, da circulação do acervo e da continuidade das atividades culturais promovidas no espaço. Também foram apontadas necessidades relacionadas à manutenção da Caixa, preservação e ampliação do acervo literário, fortalecimento das ações formativas e investimento contínuo nas práticas de incentivo à leitura.
A tabulação detalha demandas por oficina de contação de histórias, elaboração de projetos, adereços e figurinos, práticas leitoras, aquisição de acervo infantil e juvenil e apoio na locomoção da Caixa de Histórias. Também aparecem articulações com escolas públicas e privadas, o grupo Trupe da Leitura, a Fundação Bem Estar e o escritor local Mel Gibson.
Esse conjunto de informações mostra que Vicência tem um desejo de continuidade bastante concreto. O território não quer apenas manter a Caixa na biblioteca.
Quer levá-la para outros espaços, formar pessoas, valorizar personagens locais, incentivar um projeto de leitura no município e fortalecer um grupo de contadoras de histórias de maneira empreendedora.
Há, portanto, uma dimensão de futuro muito clara. A Caixa de Histórias aparece como instrumento para ampliar não apenas o acesso ao livro, mas também a organização de uma rede local de leitura. A biblioteca guarda. A formação prepara. A itinerância leva. A comunidade escuta. E, nesse percurso, os livros vão deixando de ser apenas acervo para se tornarem ferramenta de vínculo.
Em Vicência, a leitura parece pedir estrada. Pede que a Caixa saia, encontre outras localidades, chegue às crianças e retorne à biblioteca trazendo novas histórias. Como o baobá lembrado no levantamento, o projeto aponta para a permanência: raízes profundas, copa aberta, sombra compartilhada.




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